A POLÊMICA DA POLÍTICA NA IGREJA


Bem mais que sorrir, o importante é transpor alegria verdadeira. Michael Cyrus

“Se existissem duas asas para o sucesso de um líder, uma delas seria o carisma e a outra o caráter”. Esta é uma afirmação de um certo amigo meu (…) Quando analisei o ponto de vista dele em relação ao contexto de envolvimentos de líderes cristãos no universo da política brasileira, logo, entendi o sentido desta afirmativa.

A liderança carismática é algo muito favorável para o relacionamento mútuo entre líder e liderado, pois o carisma gera uma imagem ‘agradável e acessível’ do líder e desencadeia um entendimento muito positivo na mente dos subordinados. Pelo carisma é possível se aproximar das pessoas e fazer com que pedidos se tornem em ordens (sem a carga da pressão e da imposição).

Mas, o carisma por si só, não sustenta a imagem positiva de um líder por muito tempo, pois o carisma na verdade é uma vestimenta, é um recurso, que adorna e atenua as indiferenças… O caráter é o que realmente consolida, fixa e mantém os subordinados a favor do seu líder. A idéia do “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço” é o pior dos enganos.

As palavras complementam as ações. Quando se fala e não se vive o que diz, quando se diz e não se cumpre, aí tudo tende a ruir. Há um provérbio popular que diz que ‘o cristão não é obrigado a tratar, mas é o obrigado a cumprir quando trata’.

Imaginemos o caráter como o conteúdo, aquilo se realmente se é por dentro e aquilo que se tem, já o carisma é a embalagem, das mais atraentes possíveis (…) Pode ser que alguém se encante pela aparência, pelo tom da cor, pelo cheio… Mas, realmente o que fará duradoura a relação, é se o conteúdo quando provado, tenha realmente o sabor prometido de fato, e que atenda as necessidades como prometido.

Alguém pode até confiar num líder em decorrência da maneira de como ele expressa e por sua forma de se relacionar, ou seja, pelo carisma, porém, perpetuar a confiança obtida dos liderados, dependerá muito do caráter do líder. O difícil não é conquistar pessoas, o desafio é manter a confiança delas.

Jesus é o maior exemplo de uma liderança carismática, porém com caráter e integridade humana. O Mestre tinha as duas naturezas, a divina e a humana, mas o que abordo aqui é a vivência humana dele. Todos os relatos bíblicos mostram que a personalidade de Jesus tinha duas coisas muito bem relacionadas: vida e voz. Ele vivia o que falava e falava o que vivia.

O Mestre é contra os mercadores da fé, conforme relatado em Marcos 11:15, Ele mostrou de maneira muita expressiva toda a sua aversão àqueles que utilizam o templo como portal para o capitalismo, seja em que modalidade for. No entanto, Jesus nunca condenou ninguém por ser político, empresário… O posicionamento de repulsa do Mestre é em relação àqueles que utilizam a igreja como plataforma para os interesses capitalistas, ainda que tenham a “fé como rótulo dos produtos”.

Vivenciamos a atualidade de um mundo em crise, onde o comércio e as oportunidades de negócios e interesses pessoais (alheios à vontade de Deus) não estão somente na porta dos templos, mas dentro deles, e mais precisamente em cima dos púlpitos em alguns lugares.  Utilizar um lugar santo para pedir votos, comercializar e difundir interesses materiais, é na verdade um verdadeiro exemplo de descaso com a Palavra de Deus.

Como dizem as santas escrituras: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males“. (1 Timóteo 6:10)

É bem verdade que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mateus 16:18), mas os líderes que perderem o foco da verdadeira missão – buscar e arrebanhar almas para Cristo, talvez percam a grande oportunidade de se manter íntegros, e assim perderão a confiança dos seus liderados. Pois não adianta somente pregar a Palavra, vivenciá-la é o que faz toda a diferença positiva. Mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! (Mateus 18:7b)

Quem consolidou a igreja foi o Senhor Jesus, Ele é suficiente para prover oportunidades de recursos e assim dá a capacidade e a sustentabilidade da obra missionária sem a necessidade de comercialização da fé e certos acordos políticos, os quais limitam a atuação da igreja e a postura de algumas lideranças cristãs.

Continuemos a interceder pelos líderes cristãos, para que eles entendam os limites da política e a igreja, dos negócios do mundo capitalista e a verdadeira obra missionária, e assim possam discernir o sagrado do profano, sabendo que não pode haver mistura das duas coisas. Afinal, a luz não se une com as trevas.

No amor de Cristo,

Michael Cyrus

Permitida a reprodução deste conteúdo, deste que seja citada a fonte.
Texto escrito por Michael Cyrus, publicado no blog: http://www.vidaevoz.com.br

Publicado por Michael Cyrus

Husband, father, professor, business administrator. Esposo, pai, professor, administrador de empresas.

2 comentários em “A POLÊMICA DA POLÍTICA NA IGREJA

  1. Presado Senhor Editorialista
    Concordo com V.Sa., quando com acuidade trata do assunto de “política” dentro da Igreja. Conheço pastores que vendem pessoas aos políticos como se fosem cabeças de gado e isto é uma vergonha. Cristo sempre mostrou que a política deste mundo de foirma abusiva não poderá assumir o púlpito de nossas igrejas. É preciso ter muito cuidado.

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  2. Gostei muito deste artigo, ele trata de um dos assuntos mais polêmicos nos dias de hoje.
    A verdade é que em nome da defesa do evangelho, muitos irmãos entram em pleitos eleitorais e se utilizam da influência que desfrutam entre os membros das igrejas, chegam a utilizar os púlpitos como seus palanques, sem o menor respeito a Deus, ao altar do Senhor e muito menos aos fiéis. Com atitude soberba e habilidade técnica convencem os irmãos a votarem nele, muitos ainda citam versiculos bíblicos e dando conotação política partidária para burlar a fé dos fiéis, sem discernir o santo do profano,como você frisou muito bem.
    Entretanto,não quero dizer que Cristãos não possam ser políticos, mas é preciso que aprendamos a separar as coisas, quando diz respeito ao Altar do Senhor, primeiramente na sua vida e depois o “altar da igreja” (isto é, o altar de seus irmãos).
    Quero dizer com isso que a igreja não deve jamais ser objeto de negociata política ou negócio financeiro, e os membros não podem ser vistos como números, são almas que custaram o sangue precioso de Jesus Cristo.
    Penso que a igreja precisa ser política, mas no sentido maior, como exemplo de organização social e como organismo vivo para fazer a diferença no melhor sentido, para este mundo conturbado.

    Um abraço.

    Pb Edjenaldo Ferreira

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